Doenças causadas por ácaros

19/05/2019


A limpeza de sofá e estofados é necessária não somente para estética más para evitar inúmeras doenças , hoje falaremos sobre os ácaros.

Ácaros são aracnídeos microscópicos inofensivos para a maioria das pessoas. No entanto, indivíduos alérgicos podem desenvolver reações de hipersensibilidade imunológica contra estes microorganismos e seus dejetos, que podem manifestar-se através de vários tipos de quadros clínicos. 

Muitas espécies de ácaros alimentam-se de restos de pele humana ou de caspa de animais e convivem muito bem em nosso ambiente, sendo chamados de ácaros da poeira doméstica, como os Dermatophagoides (do grego, dermato = pele; phagos = comer).


Alergias Respiratórias: Os ácaros da poeira doméstica e principalmente os seus dejetos são muito leves e transportáveis pelo ar em movimento. Quando inalados, desencadeiam reações alérgicas em indivíduos sensibilizados produzindo a rinite alérgica e a asma (bronquite alérgica). Em nosso meio, um dos ácaros mais associados com este tipo de alergia é a Blomia tropicalis.
Conjuntivites: A mucosa que reveste o olho chama-se conjuntiva. Os ácaros da poeira doméstica em contato com a conjuntiva (mucosa que reveste o olho) produzem a conjuntivite alérgica, condição freqüentemente associada à rinite alérgica e chamada de rinoconjuntivite alérgica.

Dermatite Atópica:
As doenças atópicas são as alergias associadas a alérgenos ambientais.

 A dermatite atópica resulta de um estado de hipersensibilidade específica contra ácaros da poeira doméstica, fungos ou bactérias que colonizam a pele. Pode ser de natureza humoral (mediada por anticorpos) ou celular (mediada por imunócitos).


Blefarite: O Demodex folliculorum é um ácaro que pode provocar inflamação das pálpebras (blefarite) e penetrar nos poros, provocando os cravos e a acne-rosácea.



Rosácea:
A rosácea ou acne-rosácea é uma inflamação crônica da pele do rosto, associada a fatores hormonais. 

A rosácea papulo-pustular pode ser causada pela hipersensibilidade celular a proteínas antigênicas de uma bactéria (Bacilus oleronius) que habita o sistema digestório do ácaro (Demodex folliculorum).

 A rosácea não tratada pode progredir lentamente para uma condição chamada rinofima, que é a hipertrofia das glândulas sebáceas do nariz produzindo um aspecto inchado e grosseiro. 


Escabiose (sarna): é causado pelo Sarcoptes scabiae, um ácaro que forma túneis na epiderme.

 Suas fezes são são extremamente sensibilizantes e podem desencadear reações alérgicas, causando coceira insuportável. 

A deposição contínua de ovos nos túneis garante a perpetuação da infestação. 

O contato com áreas infestadas da pele pode transmitir o ácaro para outro hospedeiro.

Anafilaxia Por Ingestão Oral: Alimentos estocados por períodos longos de tempo podem ser contaminados por ácaros e quando ingeridos podem ser absorvidos pelo sistema digestório e produzir quadros alérgicos sistêmicos. 

Um exemplo muito relatado é o da farinha estocada contaminada pelo Dermatophagoides farinae.

 Ao ingerir alimentos contaminados por grandes quantidades de ácaros os indivíduos alérgicos podem desenvolver urticária ou reações anafiláticas. 

Outra espécie que infesta alimentos é o Tyrophagus putrescentiae, que produz a deterioração do queijo. Quando ingeridos, os queijos deteriorados podem provocar sintomas digestivos.


Hipersensibilidade A Anti-Inflamatórios Não Esteróides: A alergia ao ácaro doméstico está associada ao aparecimento de reações de hipersensibilidade a anti-inflamatórios não esteróides. 

Isto decorre do fato que o estado de hipersensibilidade persistente aumenta a disponibilidade do ácido araquidônico das membranas celulares, que por sua vez é metabolizado pelas enzimas cicloxigenase (que gera prostaglandinas) e pela lipoxigenase (que gera leucotrienos). 

Como os anti-inflamatórios não esteróides inibem apenas a cicloxigenase, há um desvio para a produção de leucotrienos pela lipoxigenase.

 Os leucotrienos são potentes vasodilatadores que produzem aumento da permeabilidade vascular, o que ocasiona o inchaço (angioedema).


Referências 


1. Sanchez-Borges M, Fernandez-Caldas E, Capriles-Hulett A, Caballero-Fonseca F: Mite-induced inflammation: More than allergy. Allergy and Rhinology (Providence) 3(1): e25-29, 2012.
2. Kulthanan K, Chularojanamontri L, Manapajon A, Nuchkull P: Prevalence and clinical characteristics of adult-onset atopic dermatitis with positive skin prick testing to mites. Asian Pacific Journal of Allergy and Immunology, 29(4): 318-326, 2011.
3. Coston TO: Demodex folliculorum blepharitis. Transactions of the American Ophthalmology Society, 65: 361-392, 1967.
4. Lacey N, Delaney S, Kavanagh K, Powell FC: Mite-related bacterial antigens stimulate inflammatory cells in rosacea. British Journal of Dermatology 157(3): 474-481, 2007.
5. Barret NA, Maekawa A, Rahman OM, et al. Dectin-2 recognition of house dust mite triggers cysteinyl leukotriene generation by dendritic cells. Journal of Immunology 182:1119 -1128, 2009.
6. Olivier CE, Lima RPS, Santos RAPG, Pinto DG, Vilella CA: Imunorreatividade tardia não mediada por IgE a ácaros da poeira doméstica demonstrada por teste de inibição da aderência do leucócito e por prova de provocação nasal. Revista Multidisciplinar de Saúde 2011, ano III(5):79-88.

Por CELSO EDUARDO OLIVIER

Médico Especialista em Alergia e Imunologia titulado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

 Especialista em Pediatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Doutor em Clínica Médica na área de Alergia e Imunologia pela FCM - UNICAMP Especialista em Análises Clínicas pela Faculdade de Ciências de Saúde da UNIMEP


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